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Estudo geral · São Paulo · versão 3 · setembro de 2026

A hora vazia

"Coworking" parece um mercado só, e não é. Existe espaço compartilhado para quase tudo, do escritório ao estúdio de fotografia. Este estudo cobre os três nichos em que a Hubros atua agora: escritório, saúde e estética. Mesmo entre eles, os donos, os clientes e as regras são diferentes. Este é o estudo geral: o que vale para os três. Cada nicho tem estudo próprio, com os números que só fazem sentido dentro dele.

Fontes públicas · premissas marcadas · método e fontes no fim

500+unidades de coworking na cidade de São PauloNewmark, 2025
26,1 mipessoas trabalham por conta própria no BrasilIBGE, PNAD Contínua, 2025
36,1%dos MEIs trabalham em casa. Eram 40% em 2019Sebrae, Perfil do MEI, 2024
3nichos no recorte da Hubros hoje: escritório, saúde e estética. Há outros, como estúdios de fotografiaSeção 02

Versão 3

A versão anterior misturava dados de nichos diferentes na mesma página, como número de psicólogos ao lado de dado de MEI de todos os setores. Agora o estudo geral fica só com o que vale para o mercado inteiro, e o que é de cada nicho foi para o estudo daquele nicho. Odontologia passou a ser tratada dentro de Saúde, como consultório equipado.

01 · A oferta

Espaço existe. O encontro com quem precisa também, só que fragmentado.

A cidade de São Paulo concentra mais de 500 unidades de coworking (Newmark, 2025). No Brasil são 3.886 espaços (Newmark, 2025). Em 2021 a própria Newmark contava 663 unidades na cidade, e as duas contagens não são diretamente comparáveis.

Oferta e demanda já se encontram por vários caminhos: plataformas de reserva de escritório, plataformas de consultório por hora e um mercado grande de sublocação direta entre profissionais. A existência desses canais prova que a demanda é real. O que falta é escala: cada canal cobre um nicho, uma região ou um formato.

02 · Três nichos, quatro tipos de sala

Três nichos. E dentro de saúde, dois tipos de consultório.

Espaço compartilhado existe em muitos nichos além destes, como estúdios de fotografia. Eles ficam fora deste estudo porque ficam fora da operação da Hubros por enquanto. Os três abaixo são os que importam hoje.

O dono de um coworking de escritório e o dono de um coworking odontológico vendem coisas diferentes, para pessoas diferentes, com regras diferentes. Um argumento que convence um pode não fazer sentido para o outro. Odontologia é saúde, mas o consultório equipado tem regras próprias, por isso aparece numa linha separada dentro de Saúde.

Quem oferece, o que aluga e quem procura, em cada nicho

A estrutura é a mesma. O conteúdo de cada caixa muda, e é isso que separa os nichos.

NICHO QUEM OFERECE O QUE ALUGA QUEM PROCURA Escritório o mais conhecido Coworking de escritório vive de plano mensal Estação e sala de reunião sem licença específica Autônomos e remotos buscam "coworking" Saúde consultório simples Coworking de saúde hora, período ou pacote Consultório privacidade e acústica Psicólogos e médicos buscam "consultório por hora" Saúde consultório equipado Coworking odontológico vende por período Consultório equipado licença por dentista Dentistas autônomos "consultório compartilhado" Estética outra lógica Salão e espaço de beleza parceria com cota-parte Cadeira, cabine, sala Lei 13.352, contrato homologado Profissionais parceiros muitos já dentro de salões

Regras destacadas em cor: no consultório odontológico, o compartilhamento de consultório em São Paulo só foi permitido pela Portaria CVS nº 01/2024 (APCD), e cada dentista precisa de licença de funcionamento própria (CROSP). Na estética, a parceria é regulada pela Lei 13.352/2016, com cota-parte e contrato homologado no sindicato (Planalto).

Um argumento que funciona com o dono de coworking de escritório pode soar sem sentido para o dono de uma clínica odontológica. Por isso cada nicho tem estudo próprio.

03 · O movimento que vale para todos

Ano após ano, menos gente trabalha em casa.

O Brasil fechou 2025 com 26,1 milhões de pessoas trabalhando por conta própria, dentro de um recorde de 103 milhões de ocupados (IBGE). São 11,5 milhões de MEIs com cadastro ativo, mais de 90% em operação (Sebrae, 2024). Esses números misturam todos os setores e todo o país. É por isso que estão aqui, no estudo geral, e não dentro de um nicho.

MEIs que trabalham em casa

Percentual dos microempreendedores individuais que declararam a própria casa como local de trabalho. Brasil, todos os setores.

0% 20% 40% 2019: 40% 40% 2019 2022: 38% 38% 2022 2024: 36,1% 36,1% 2024

Fonte: Sebrae, Perfil do Microempreendedor Individual, edições 2019, 2022 e 2024 (Agência Sebrae, out/2024). Dados nacionais, sem recorte por estado ou setor.

Aplicando os 36,1% aos cerca de 10,4 milhões de MEIs em operação, são perto de 3,7 milhões de microempreendedores trabalhando em casa (cálculo nosso). O trabalho remoto conta a mesma história por outro ângulo: 6,6 milhões de pessoas em 2024, 7,9% dos trabalhadores analisados pelo IBGE, abaixo do pico de 2022 mas acima dos 5,8% de 2019.

O limite desses números precisa ficar claro. Eles mostram um movimento, não mostram para onde essas pessoas vão, nem quantas gostariam de ter um espaço profissional e ainda não têm. Não existe pesquisa pública que meça essa intenção.

04 · Ocupação

Os grandes operadores estão cheios. A hora vazia, se existe, está em outro lugar.

Esses números medem estação e escritório privativo de grandes redes de escritório. Não medem sala de reunião, consultório, cadeira de salão nem horários de borda em operadores médios e pequenos. Nossa hipótese é que a ociosidade está justamente aí, e ela muda de nicho para nicho. Não encontramos dado público que a confirme em nenhum deles.

05 · O que já se sabe de cada nicho

A profundidade dos dados públicos varia muito.

CamadaEscritórioSaúde: consultórioSaúde: odontológicoEstética
Tamanho do públicotemtemparcialparcial
Como esse público trabalhatemparcialparcialparcial
Quantidade de espaçostemfaltafaltafalta
Ocupaçãoparcialfaltafaltafalta
Regras e licençassimplesfaltatemtem
Como a demanda procuraparcialtemparcialfalta
tem: dado público com fonte parcial: dado antigo, secundário ou de amostra pequena falta: nenhum dado público encontrado
SaúdeEstudo disponível Psicologia, medicina e odontologia. Traz o funil do mercado endereçável de psicólogos da capital e as regras do consultório odontológico compartilhado. Ler o estudo →
EscritórioEm preparação O nicho com mais dado macro. Falta separar sala de reunião de estação de trabalho.
EstéticaEm investigação A lógica é de parceria, não de aluguel. Precisa de pesquisa antes de virar tese.

06 · Cada nicho procura com um nome

"Coworking" é palavra de escritório.

A única pesquisa pública sobre o tema é da CNDL com o SPC Brasil: 61% dos consumidores das capitais tinham interesse em usar coworking em 2019, contra 47% em 2018 (837 entrevistas). É interesse, não conhecimento, e é anterior à pandemia.

Fora do escritório, a palavra quase não aparece. As plataformas que atendem saúde se apresentam como "aluguel de consultório por hora" e "consultórios compartilhados"; clínicas anunciam "sublocação de salas"; conselhos de psicologia, como o de Minas Gerais, mantêm seção de sublocações. No odontológico, a própria regulação usa "compartilhamento de consultório". A demanda de cada nicho existe, mas procura com a sua própria palavra.

07 · O que o estudo geral ainda não sabe

  • Quantos autônomos querem espaço profissional e ainda não têm. O movimento de saída de casa está medido; a intenção, não.
  • Onde está a hora vazia. Só existe dado de ocupação de grandes redes de escritório.
  • Quantos espaços existem por nicho. A contagem de 500+ não separa escritório, saúde e estética.
  • Recorte por região da cidade. Nenhuma das fontes gerais desce ao nível de bairro.
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