Estudo geral · São Paulo · versão 3 · setembro de 2026
"Coworking" parece um mercado só, e não é. Existe espaço compartilhado para quase tudo, do escritório ao estúdio de fotografia. Este estudo cobre os três nichos em que a Hubros atua agora: escritório, saúde e estética. Mesmo entre eles, os donos, os clientes e as regras são diferentes. Este é o estudo geral: o que vale para os três. Cada nicho tem estudo próprio, com os números que só fazem sentido dentro dele.
Fontes públicas · premissas marcadas · método e fontes no fim
A versão anterior misturava dados de nichos diferentes na mesma página, como número de psicólogos ao lado de dado de MEI de todos os setores. Agora o estudo geral fica só com o que vale para o mercado inteiro, e o que é de cada nicho foi para o estudo daquele nicho. Odontologia passou a ser tratada dentro de Saúde, como consultório equipado.
Espaço existe. O encontro com quem precisa também, só que fragmentado.
A cidade de São Paulo concentra mais de 500 unidades de coworking (Newmark, 2025). No Brasil são 3.886 espaços (Newmark, 2025). Em 2021 a própria Newmark contava 663 unidades na cidade, e as duas contagens não são diretamente comparáveis.
Oferta e demanda já se encontram por vários caminhos: plataformas de reserva de escritório, plataformas de consultório por hora e um mercado grande de sublocação direta entre profissionais. A existência desses canais prova que a demanda é real. O que falta é escala: cada canal cobre um nicho, uma região ou um formato.
Três nichos. E dentro de saúde, dois tipos de consultório.
Espaço compartilhado existe em muitos nichos além destes, como estúdios de fotografia. Eles ficam fora deste estudo porque ficam fora da operação da Hubros por enquanto. Os três abaixo são os que importam hoje.
O dono de um coworking de escritório e o dono de um coworking odontológico vendem coisas diferentes, para pessoas diferentes, com regras diferentes. Um argumento que convence um pode não fazer sentido para o outro. Odontologia é saúde, mas o consultório equipado tem regras próprias, por isso aparece numa linha separada dentro de Saúde.
A estrutura é a mesma. O conteúdo de cada caixa muda, e é isso que separa os nichos.
Regras destacadas em cor: no consultório odontológico, o compartilhamento de consultório em São Paulo só foi permitido pela Portaria CVS nº 01/2024 (APCD), e cada dentista precisa de licença de funcionamento própria (CROSP). Na estética, a parceria é regulada pela Lei 13.352/2016, com cota-parte e contrato homologado no sindicato (Planalto).
Ano após ano, menos gente trabalha em casa.
O Brasil fechou 2025 com 26,1 milhões de pessoas trabalhando por conta própria, dentro de um recorde de 103 milhões de ocupados (IBGE). São 11,5 milhões de MEIs com cadastro ativo, mais de 90% em operação (Sebrae, 2024). Esses números misturam todos os setores e todo o país. É por isso que estão aqui, no estudo geral, e não dentro de um nicho.
Percentual dos microempreendedores individuais que declararam a própria casa como local de trabalho. Brasil, todos os setores.
Fonte: Sebrae, Perfil do Microempreendedor Individual, edições 2019, 2022 e 2024 (Agência Sebrae, out/2024). Dados nacionais, sem recorte por estado ou setor.
Aplicando os 36,1% aos cerca de 10,4 milhões de MEIs em operação, são perto de 3,7 milhões de microempreendedores trabalhando em casa (cálculo nosso). O trabalho remoto conta a mesma história por outro ângulo: 6,6 milhões de pessoas em 2024, 7,9% dos trabalhadores analisados pelo IBGE, abaixo do pico de 2022 mas acima dos 5,8% de 2019.
O limite desses números precisa ficar claro. Eles mostram um movimento, não mostram para onde essas pessoas vão, nem quantas gostariam de ter um espaço profissional e ainda não têm. Não existe pesquisa pública que meça essa intenção.
Os grandes operadores estão cheios. A hora vazia, se existe, está em outro lugar.
Esses números medem estação e escritório privativo de grandes redes de escritório. Não medem sala de reunião, consultório, cadeira de salão nem horários de borda em operadores médios e pequenos. Nossa hipótese é que a ociosidade está justamente aí, e ela muda de nicho para nicho. Não encontramos dado público que a confirme em nenhum deles.
A profundidade dos dados públicos varia muito.
| Camada | Escritório | Saúde: consultório | Saúde: odontológico | Estética |
|---|---|---|---|---|
| Tamanho do público | tem | tem | parcial | parcial |
| Como esse público trabalha | tem | parcial | parcial | parcial |
| Quantidade de espaços | tem | falta | falta | falta |
| Ocupação | parcial | falta | falta | falta |
| Regras e licenças | simples | falta | tem | tem |
| Como a demanda procura | parcial | tem | parcial | falta |
"Coworking" é palavra de escritório.
A única pesquisa pública sobre o tema é da CNDL com o SPC Brasil: 61% dos consumidores das capitais tinham interesse em usar coworking em 2019, contra 47% em 2018 (837 entrevistas). É interesse, não conhecimento, e é anterior à pandemia.
Fora do escritório, a palavra quase não aparece. As plataformas que atendem saúde se apresentam como "aluguel de consultório por hora" e "consultórios compartilhados"; clínicas anunciam "sublocação de salas"; conselhos de psicologia, como o de Minas Gerais, mantêm seção de sublocações. No odontológico, a própria regulação usa "compartilhamento de consultório". A demanda de cada nicho existe, mas procura com a sua própria palavra.